top of page

Economia, Resiliência e futuro

  • Foto do escritor: Carol Bernardo
    Carol Bernardo
  • 7 de jan. de 2025
  • 6 min de leitura

Foto de Alex Livingston na Unsplash
Foto de Alex Livingston na Unsplash

(Escrito em parceria com o professor Carlos Eduardo de Viveiros Grelle)

Existe um nível de incerteza no futuro, ainda mais em tempos de alterações climáticas. E o que poderia mudar este cenário, aumentar a previsibilidade e equilíbrio dinâmico em ecossistemas saudáveis, está se esvaindo com o tempo, como consequência de nossas escolhas. 


Sim, as escolhas definem os caminhos. Escolhemos como sociedade valorizar o capital, a moeda, em detrimento de uma estabilidade ecossistêmica. E fico me perguntando quando começamos, enquanto espécie, a deixar de valorizar a natureza como algo inerente à nossa sobrevivência, e a valorizar o controle e a exploração sobre ela como forma de atingir poder e ter determinado status econômico.


Depois de ouvir alguns podcasts e ler alguns artigos sobre, cheguei a conclusão de que deixamos de nos sentir iguais e pertencentes ao meio ambiente e passamos a nos sentir superior - por causa de um entendimento errôneo sobre o processo evolutivo - quando começamos a usar  e supostamente controlar em algumas escalas espaciais a natureza (as mudanças climáticas são prova da falta de controle), principalmente por meio do desenvolvimento de técnicas agrícolas. Entendo e concordo que esse “controle” nos permitiu ter mais desenvolvimento cognitivo, pela inovação tecnológica dessas práticas e de outras. No entanto, nos trouxe uma consequência, que estamos sentindo na pele hoje: o aquecimento médio global e a perda massiva da biodiversidade. Tudo isso como consequência de nos sentir “superior” ao meio ambiente e que poderíamos controlá-lo no longo prazo. 


Além disso, tem uma expressão que eu ouvi muito ao longo do meu doutorado em Economia e que ainda ouço, que vieram dos economistas ambientais que é: “o meio ambiente depura tudo, não?” (mito da resiliência ecossistêmica absoluta). A resposta é depende. E percebi que (ainda) falta conhecimento ecológico aos economistas ambientais. Sabia disso quando iniciei meu doutorado em Economia, que, inclusive, foi um dos motivos pelos quais eu decidi entrar nessa área, sendo bióloga de formação e mestre em Ecologia. Mas, depois de tudo o que já sabemos hoje, principalmente sobre os efeitos das atividades humanas sobre o meio e como consequência o aquecimento médio global, achei que essa visão tinha mudado. Só que não.


E o que essas duas coisas têm a ver? Tudo.


Enquanto economistas ambientais, vemos não só o lado do meio ambiente, mas também o lado da produção, especialmente a agrícola. E (quase) todo economista vai “defender” as práticas agrícolas, do jeito que elas são e se desenvolveram até hoje, por causa da importância que essas práticas têm para o PIB do Brasil, que tem como principal produto de exportação as tais das commodities. 


Então, falar disso é quase um “tabu” e é justamente por isso que precisamos falar. E é também por isso, que precisamos de mais biólogos, ecólogos e cientistas ambientais se adentrando na Economia. 


Veja, não estou condenando as práticas agrícolas, nem dizendo que deveríamos viver sem elas. Isso seria não só burrice, mas idiotice da minha parte. O que eu quero alertar é que precisamos ver a importância dos dois lados, não só o da produção, que aumenta o PIB e mantém o status quo da dinâmica do capital, da moeda, mas também o lado do meio ambiente e da conservação da biodiversidade, que mantém não só as práticas agrícolas "de pé", mas também nossas vidas funcionando. 


O meio ambiente, a natureza, é feita de diversas formas de vida, que interagem entre si. As mais diversas formas de vida fazem parte da biodiversidade de uma região, de um país. Quanto maior a biodiversidade, ou seja, quanto maior a diversidade de espécies e de habitats (florestas, rios, pântanos, savana…) de uma região, mais estável tende a ser este ecossistema. 


As atividades produtivas, especialmente as práticas agrícolas, precisam dos recursos ambientais para se manterem. Pensando na agricultura, por exemplo, é minimamente necessário uma ampla área, solo de qualidade e água disponível. Para que uma área seja agricultável, da forma como é hoje, em monoculturas, o ecossistema que havia ali precisa "desaparecer” para que o solo fique “livre” para ser plantado. Ou seja, as práticas agrícolas trouxeram a possibilidade de plantação em larga escala, para provimento de alimentos, mas tirou o que daria sustento a essa própria prática, no longo prazo. 


Os ecossistemas, quanto mais biodiversos, maior é a sua estabilidade frente às pressões ambientais, fornecem uma gama enorme de serviços e bens ecossistêmicos para todos os animais, plantas e outros seres que ali residem, inclusive para nós, seres humanos. A intrincada relação entre as espécies e entre os extratos de ambiente físico, solo, ar, água, é que fornece esses serviços. Eliminá-los por completo trará custos altíssimos para nós. Como estamos vendo atualmente. 


O solo rico e de qualidade, que é “dado” por um ecossistema em equilíbrio, vai deixando de ter essa característica quando é utilizado para a monocultura. Ao longo do tempo, vai se tornando mais pobre e propensos a “correções” químicas e artificiais, que trazem custos para o produtor e para a sociedade, pois uma vez no solo, todos esses fertilizantes e afins são lavados pela chuva e atingem os rios.


E é neste ponto que vem a pergunta: “mas o rio não depura? Não limpa?”


Depende de como está o rio no momento dessa descarga de sedimentos e nutrientes; de quanto tempo será essa descarga (se contínua ou se parará em algum momento); da vazão do rio e de outras características físicas. Se este rio está em equilíbrio e saudável, o aporte de sedimentos e nutrientes fará que esse rio saia do equilíbrio, pois altera a dinâmica do ecossistema. Se o aporte de nutrientes cessar, esse rio chegará a um novo equilíbrio, de menor qualidade que o anterior. E, enquanto economistas, esquecemos desse detalhe às vezes: a utilidade da população à jusante, com relação à demanda da água vai reduzir, pois a qualidade do rio diminuiu. Isso implica em aumento do custo social de limpar o rio para ser apto ao uso na cozinha e para dessedentação, por exemplo. 


E a biodiversidade deste rio? Provavelmente se reduziu, quando falamos em número de espécies diferentes. Porque tem espécies que são mais sensíveis às mudanças na química, no pH e no aporte de material orgânico. Por isso que o equilíbrio do rio muda e, consequentemente, sua qualidade muda. 


Se o aporte de material sedimentar for constante, uma vez que a produção agrícola não cessa, só diminui o ritmo ao longo de um ciclo produtivo, sem dar tempo para que o rio restaure seu equilíbrio basal, a qualidade do rio pode ser severamente colocada em risco. Porque essa característica de resistir e adaptar a esses sedimentos, levados pela chuva e irrigação, tem um limite. E esse limite se chama capacidade de suporte.


Novos sedimentos chegam a todo o momento, o rio não consegue atingir um novo equilíbrio. O aporte sedimentar não cessa nunca. A vazão não permite um escoamento significativo para “lavar” tudo isso e ainda pode ocorrer assoreamento do rio, se a quantidade de sedimentos for muito grande. A biodiversidade no rio vai se perdendo a cada nova chegada desses sedimentos. O ecossistema está em constante desequilíbrio. Chega um momento em que o ecossistema colapsa, porque a maioria da vida que estava ali foi perdida, só sobrou bactérias anaeróbias que conseguem se alimentar desses sedimentos e o rio morre. 


O que precisa para que o rio volte à vida? Um alto investimento e cessar o que está causando o impacto negativo. Mas, este último, entra no argumento “não podemos parar a produção, porque temos que alimentar as pessoas e manter o PIB". E o que fazer?


O próprio meio ambiente nos mostra o que fazer, mas somos arrogantes demais para parar e observar a natureza. Queremos o controle em prol do capital. Se der o tempo suficiente para o rio voltar a ser o que era, antes de entrar em colapso, não precisaria gastar para recolocá-lo em equilíbrio. Da mesma forma que se mantivéssemos os ecossistemas dentro dessas propriedades rurais conservadas e respeitassem as áreas de preservação (APP e RL), talvez teríamos um cenário diferente. Para se produzir, é necessário ter biodiversidade, que mantém a oferta de bens e serviços ecossistêmicos. Sem ela, o castelo de cartas das atividades produtivas humanas que construímos ao longo do tempo cairá. E, infelizmente, já estamos vendo as consequências dessa perda, como, por exemplo, o aumento dos preços de commodities. Reflexo da perda da biodiversidade e das consequências das alterações climáticas - uma vez que tudo isso está relacionado.  


Qual solução? Não sei. 

Acho que a primeira solução seria educação das crianças e até dos adultos sobre o funcionamento básico dos ecossistêmicos e a importância da biodiversidade nas nossas vidas, inclusive da importância dela para nossos bolsos. Mas não sei se estamos prontos para essa conversa ainda. 



 



9 comentários


robert50powell.9.5.8.4+abc123
há 2 dias

kèo bóng đá hôm nay mình thấy bạn bè nhắc suốt nên cũng tò mò vào xem thử cho biết. Mình không đọc kỹ kèo hay chọn gì đâu, chủ yếu nghía qua giao diện với cách họ bày trang thôi. Cảm giác đầu tiên là nhìn khá sáng sủa, các khối nội dung tách ra rõ nên lướt xuống không bị rối mắt. Mình để ý mấy chỗ hiển thị thông tin dạng bảng họ canh cột gọn, nhìn cái là biết đang ở mục nào, không phải căng mắt dò chữ. Kiểu mình hay xem nhanh, chỉ cần vậy là ổn rồi, đỡ phải bấm qua lại nhiều. Menu cũng đặt chỗ dễ thấy nên chuyển qua lại…

Curtir

uyenghomsoet.h.uy.e.n+abc123
há 2 dias

nhà cái kubet mình thấy dạo này hay được nhắc nên cũng vào thử cho biết thôi. Mình không chơi hay tìm hiểu sâu gì, chỉ lướt qua xem giao diện có dễ nhìn không. Cảm giác đầu tiên là trang làm khá thoáng, chữ với khoảng trắng vừa đủ nên nhìn không bị ngộp. Mấy phần nội dung được tách thành từng khối rõ ràng, kéo xuống tới đâu là biết mình đang ở đoạn nào, không phải căng mắt dò. Mình cũng thích cái cách họ sắp xếp theo kiểu gọn gàng, nhìn lướt là hiểu thông tin nằm ở đâu, đỡ phải bấm qua lại nhiều. Nói chung vào xem vài phút là nắm được cách họ…

Curtir

uyenghomsoet.h.uy.e.n+abc123
há 2 dias

33win dạo này thấy mấy đứa bạn hay nhắc nên mình bấm vào ngó thử cho biết thôi. Mình không đăng ký hay chơi gì, chỉ lướt qua xem họ làm trang ra sao. Cảm giác đầu tiên là giao diện nhìn sáng sủa, không bị nhồi chữ, nên tìm chỗ mình cần khá nhanh. Mình để ý cách họ chia nội dung thành từng khối rõ ràng, nhìn lướt một vòng là hiểu đại khái đang có gì mà không phải căng mắt. Cái menu cũng nằm chỗ dễ thấy, bấm qua lại mấy mục không bị loạn hay phải quay lui nhiều. Nói chung kiểu trình bày theo khối và bảng cột làm mình thấy dễ theo dõi,…

Curtir

laurasanms311989
há 3 dias

Nổ Hũ mình thấy bạn bè nhắc nên tiện tay vào nghía thử cho biết thôi. Ấn tượng đầu là trang nhìn khá thoáng, kiểu chia nội dung thành từng khối nên kéo xuống một chút là hiểu đang có gì, không bị “ngợp” chữ. Mình cũng thích cái menu để ngay chỗ dễ thấy, bấm qua lại giữa các mục nhanh, không phải mò mẫm hay quay lại nhiều lần. Mấy phần thông tin trình bày theo cột gọn gàng nên liếc cái là nắm được, nhất là các bảng số liệu canh hàng thẳng nhìn đỡ mỏi mắt. Nói chung mình chỉ xem giao diện chứ không làm gì sâu, nhưng cách họ sắp xếp khối nội dung…

Curtir

bentiecesav.a.ge54.62
há 5 dias

ea88mobile dạo này thấy nhiều người nhắc nên mình cũng ghé thử cho biết thôi. Mình không có đọc kỹ nội dung hay ngồi kiểm tra từng mục, chủ yếu lướt qua xem giao diện họ làm ra sao. Ấn tượng đầu là trang nhìn thoáng, chia khối rõ ràng nên kéo xuống khá nhẹ mắt, không bị dồn chữ tùm lum. Cái mình để ý nhất là thanh menu đặt chỗ nằm chỗ dễ thấy, bấm qua lại mấy mục không bị lạc hay phải mò lâu. Với lại mấy khung thông tin họ trình bày theo kiểu cột hàng gọn gàng, nhìn phát hiểu ngay chứ không rối, nhất là khoảng cách dòng với căn lề trong bảng…

Curtir
bottom of page